Por cento e trinta longos e dolorosos anos — desde 1895 — assistimos, impotentes, ao lento e sistemático assassinato do Espiritismo em solo brasileiro. O que deveria ser um farol de libertação foi, paulatinamente, obscurecido pelas sombras da distorção. Sob o manto de crenças dogmáticas e impostas, um grupo determinado a sufocar a razão, seguidores de Jean Baptiste Roustaing, entregou-se a uma fascinação profunda e perigosa pelo Espírito de Ismael. Este, autoproclamando-se preposto de Jesus e senhor absoluto do Espiritismo no Brasil, arquitetou um golpe silencioso, sequestrando a alma da Federação Espírita Brasileira e instaurando um regime de obediência cega.
Desde então, instalou-se o profundo desvio: a fé raciocinada, pilar fundamental da nossa doutrina, foi cruelmente sacrificada no altar da crença cega. Médiuns, que deveriam ser meros canais, foram elevados ao status de oráculos inquestionáveis, cujas palavras tornaram-se leis intangíveis. Opiniões de Espíritos, em total afronta à ciência espírita, passaram a ser aceitas como verdades absolutas. A mediunidade no lar — o sagrado refúgio do aprendizado — foi abolida, e as evocações, ferramentas vitais da metodologia de Kardec, foram banidas e transformadas em tabus proibidos.
O resultado desta traição é devastador. O Espiritismo no Brasil foi desfigurado, convertido em uma religião e passou a apresentar dogmas e, grande parte do movimento espírita, a portar-se com várias características sombrias de uma seita. O misticismo rasteiro ganhou terreno e lobos em pele de cordeiro espalharam-se por cada canto, pregando doutrinas materialistas terríveis enquanto lucram com a esperança dos aflitos.
Basta!
Chega de silêncio. Chega de permissividade. A verdade não pode mais ser mantida em cárcere, nem os desvios podem ser tolerados sob a máscara da caridade. No passado, quando a escuridão ameaçou a França, bravos guerreiros da luz como Berthe Fropo, Leon Denis e Gabriele Boudet — a viúva de Allan Kardec — ergueram-se em uníssono contra a adulteração dos princípios espíritas, combatendo os traidores de Kardec, da verdade e do próprio Cristo. Aquela empreitada luminosa foi a União Espírita Francesa.
Hoje, nós resgatamos essa chama! Nós seguimos esse exemplo heroico!
Unimo-nos, a partir deste instante, nesta livre e sagrada iniciativa. Somos parte da voz do movimento regenerador que clama pela recuperação do verdadeiro Espiritismo, do verdadeiro Consolador Prometido, livre de correntes e de impostores.
Este é o primeiro passo.