A União Espírita Brasileira, nascendo de um esforço colaborativo livre e independente de indivíduos interessados na proteção e no resgate do Espiritismo verdadeiro, conforme organizado nas 23 obras de Allan Kardec, estabelece-se como uma força de oposição a todas as vexatórias distorções impostas à Doutrina Espírita, desde a França, após a morte de Kardec, mas especialmente no Brasil, desde a tomada da Federação Espírita Brasileira por seguidores da doutrina de Jean Baptiste Roustaing.

Por conta dessa invasão de pessoas guiadas por princípios fundamentalmente contrários ao Espiritismo, quais sejam a não encarnação de Jesus e sistemas do dogma da encarnação como castigo e da retrogradação da alma, esse grupo fez da FEB a nova “Casa de Ismael”, título e história orgulhosamente apresentados pela FEB, ainda hoje (sic!).

Ismael, Espírito imperfeito que, ao longo de mais de 140 anos, tem defendido a mesma doutrina de Roustaing e, tendo alcançado a fascinação desse grupo, desde 1895 comanda os princípios da FEB, conseguindo criar a mais profunda divisão possível no Movimento Espírita Brasileiro: de um lado, estudiosos e defensores do Espiritismo verdadeiro; do outro, pessoas que levianamente renegaram o Espiritismo em nome de uma fé cega, abolindo o exame crítico das comunicações espíritas e provocando todo tipo de distorção vexaminosa ao Espiritismo, apresentando ao pública uma face ilógica, irracional e religiosa daquilo que deveria ser simplesmente uma ciência filosófica de aspecto moral.

Federação Espírita Brasileira, que de “espírita” só tem o nome, já que nunca agiu em favor de sustentar os pilares centrais da doutrina espírita, quais sejam a fé raciocinada, o exame crítico a toda e qualquer comunicação espírita, sem exceções, o zelo com as publicações feitas em nome do Espiritismo e a continuidade dos princípios exaustivamente defendidos por Allan Kardec, até o final de seus dias.

Os princípios que nos unem, portanto, são:

A Revista União Espírita, será divulgada e utilizada como veículo de disseminação do conhecimento da ciência espírita e do combate às distorções.

A UEB, seguindo os princípios defendidos por Kardec, não visa e nem pode visar ser uma instituição acima do Movimento Espírita, como a FEB fez, autointitulando-se “Casa-Mater do Espiritismo no Brasil”. O que deve ser Mater – mãe – do Movimento Espírita é a unidade doutrinária, baseando-se na sólida rocha que é a ciência espírita. Não buscamos, portanto, uma unificação, como essa perseguida pela FEB para colocar todo o movimento espírita aos pés de sua doutrina roustanguista/ismaelista antiespírita. Os agrupamentos, sociedades e instituições devem estar abaixo dos princípios da Doutrina Espírita, servindo apenas como foco de união e propagação, mas nunca, jamais, ditando rumos conforme os gostos ou ideias desse ou daquele indivíduo, grupo, instituição ou sistema, conforme bem demonstrado nos artigos “Organização do Espiritismo”, na Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1861 e “Constituição transitória do Espiritismo”, na Revista espírita — Jornal de estudos psicológicos — 1868.

Importa destacar que esta livre reunião é apolítica, sendo, inclusive, crítica à frequente tentativa de moldar o Espiritismo conforme as vertentes políticas de direita e de esquerda.

Da mesma forma que a nossa iniciativa é apolítica, é também não religiosa. Tal como sempre recomendado por Kardec, não adotamos sinais, cultos, rituais e nem mesmo o Pai Nosso em nossas reuniões, para que não exista conflito com a religião que cada um possa ter.

As indicações de obras extremamente importantes para o necessário conhecimento de todos esses fatos, dentre elas “O Legado de Allan Kardec“, de Simoni Privato, “Nem Céu, Nem Inferno: as leis da alma segundo o Espiritismo“, de Paulo Henrique de Figueiredo e Lucas Sampaio, e “Autonomia: a história jamais contada do Espiritismo“, de Paulo Henrique de Figueiredo, encontram-se disponíveis no site do Grupo de Estudos O Legado de Allan Kardec.